
O que mais me irrita sobre o facto de estar desempregada é ter de aturar, basicamente, a treta dos outros. É que não há nada pior do que pessoas que não sabem nada da minha vida e da minha situação a mandar o seu “bitaite”. Seeeeeeeeeeempre....todos os dias, a toda a hora.
-“Porque não tentas aquele hospital XPTO?”
-“Porque não vais para Espanha?”
-“Devias mandar mais currículos!”
-“Estás a acomodar-te.”
-“Devias insistir mais.”
-“Podias continuar a estudar.”
-“Não devias estar a trabalhar fora da tua área.”
É que já não há paciência!!
Não entendo como é que certas pessoas sabem tanto da minha vida, como devo geri-la e organizá-la, melhor mesmo que eu. Isto vindo de pessoas que me vêem quando o rei faz anos faz-me uma ligeira comichão.
Pior que isto é as pessoas que olham para mim como se eu fosse alguma desgraçada da sociedade. Tal como já referi, sou operadora de caixa, e como tal, atendo demasiada gente conhecida. Comentário típico: “Ai coitadinha, olha tiraste um curso para agora trabalhares aqui”.
Coitadinha??? COITADINHA??? Já dizia a minha avó que coitadinho é corno....e é bem certo.
Então vejamos:
Ponto núm.1: Se estou a trabalhar temporariamente fora da minha “praça”, é porque EU quero. Ninguém me obrigou e não, não passo fome em casa, nem nunca me faltou abrigo.
Ponto núm.2: Contrariamente ao que as mentes mais inocentes podem pensar, não estou a pensar fazer carreira em ensacar leite meio-gordo e pão de forma sem côdea.
Ponto núm.3: (e muita gente não entende isto) não considero que trabalhar numa outra coisa seja perda de tempo. Seja em que área for, tudo se transforma em ganho de conhecimentos, e ninguém tem o poder para dizer que um conhecimento é mais importante que outro. Quando tinha 18 anos trabalhei numa cozinha, a lavar pratos e panelas, e aí ninguém me chamou de coitadinha (supostamente fazia-me bem saber o que custa ganhar uns trocados), mas agora, só porque tenho um canudo na mão o trabalho parece tornar-se menos valorizado.
Ponto núm.4: Se tomei a decisão de trabalhar, não foi de ânimo leve. Além de não ganhar raízes ao meu sofá e voltar a deprimir (tendência assustadora em mim), o dinheiro que estou a ganhar, está intacto à espera que os meus papéis para emigrar estejam prontos. Sim, minha gente, porque até para ir ganhar dinheiro lá para fora, é preciso (espantem-se) DINHEIRO!!
RITA