Páginas

sábado, 13 de novembro de 2010

Obras Primas

Eu ando cá com uns projectos...upa upa!!
Desta feita são os licores e os bombons de chocolate!! É que os há para todos os gostos...

Não são um espectáculo estes frascos?? A minha madrinha diz que parecem os frascos de fetos do Instituto Ricardo Jorge, mas morbilidades à parte, eu cá acho que vão estar um mimo. Nesta fornada há de Ananás, Coco, Limão, Castanhas, Feijoca, Menta e Afrodisíaco!!!

Lá para o Natal estão prontos. Alguém é servido??


RITA

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Na cozinha...

...entre duas dentadas numa bucha de pão e enquanto a "Bó Gena" mexia no arroz que estava ao lume:


"Bó, estás um bocadinho rouca"


"ESTOU NADA MOUCA!!!! Tu é que tens a mania de comer as palavras!"



Adoro a minha Avó. 81 anos e sempre a surpreender...


RITA

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tenho o nome gasto...

...de tantas vezes que é chamado durante o dia! Se ao menos fosse para me dar dinheiro ou chocolates. Mas não, é invariavelmente para me dar trabalho.

Ora Rita "é uma injecção"
Ora Rita "é uma caixa de Sinvastatina pó elevador, oh fá xavor"
Ora Rita "confere as facturas"
Ora Rita "anda cá ver se este dedo está partido"
Ora Rita "atende o telefone"
Ora Rita "olha as encomendas que chegaram"
Ora Rita "faz estas devoluções"
Ora Rita "marca estes preços"
Ora Rita "vê os Triglicerídeos da D.Maria"
Ora Rita "passa-me as bolachas"
Ora Rita "coça-me as costas e beija-me os pés"
Ora Rita, Rita Rita...

Só à noite é que ninguém chama por mim.....ORA BOLAS!!!

RITA

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Não

Não. Hoje não é um dia bom.
E há dias assim. Longos. Pesados. Carregam dentro deles tudo que de mais negro e triste existe.
Não. Hoje não é um dia bom.
Todas as palavras ditas em dias assim nos batem fundo. Fazem feridas que demorarão a sarar. Magoam.
Não. Hoje não é um dia bom.
O mínimo problema adivinha-se um medo colossal. Tudo nos faz tremer, não querer acreditar.
Não. Hoje não é um dia bom.
Não se querer crescer. Não se querer mudar. Não se querer cantar. Não se querer escrever. Não se querer acordar.
Não. Hoje não é um dia bom.
Nada que fazemos bate certo. Nada que nos fazem sabe bem. Tudo nos preocupa. Tem de preocupar.
Não. Hoje não é um dia bom.
As piadas que ouvimos não têm graça. O sol não quer aquecer. A comida não tem sabor. Não conseguimos adormecer.
Não. Hoje não é um dia bom.
Hoje não foi um dia bom.
ANA

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A "droga" está a fazer-me mal

Isto de ser enfermeira e trabalhar numa Farmácia tem os seus momentos. Mas o facto de estar rodeada de caixas, caixinhas e caixonas de medicação está, muito provavelmente, a queimar-me o cérebro por dentro. No hospital conhecemos a metoclopramida ou a enoxaparina...ali temos de levar com o primperan e com o lovenox (queria por aqui aquele símbolo de marca registada mas como não encontro no teclado, suponho que não exista), juntamente com os seus outros 134.785.900 amigos medicamentosos. Tantos gavetas e prateleiros com tantos nomes, cores e feitios de droga só podia correr mal.
Mas não fosse hoje dia 13, tive uma visão. Enquanto tentava não me afogar naquela panóplia de coisinhas que maltratam o fígado, descobri que isto ate pode ter a sua graça, há é que procurá-la.
Eu comecei, mas rapidamente as minhas colegas tomaram-lhe o gosto. Aqui pode não ser perceptível mas valeu pelas gargalhadas que demos.
"Airtal, o meu homem januvia, agora janumet. Eu bem lhe perguntei; Omnic, mnic filho, isso não paracetamol? Mas ele não é nenhum angeliq. De certeza que quando vier a domperidona vai a livial. Ai ai. I'm a singulair....(boa música) All the singulair, all the singulair...put a ring on it..."
Enfim, as minhas desculpas!
RITA

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

À Melhor de Três #1

6 de Dezembro de 2008

"Julgo que sei, mas não sei nada. Tudo que os dias me levam é apenas o tempo. É inútil e não são capazes de levar mais nada. Não há nada para levar. A minha carga é leve. Leve demais para se poder chamar existência. Os dias nada me roubam, nada me roubam excepto aquilo que não quero ter. Os dias levam-me a vida. E descubri que não quero viver, pelo menos não assim. Os meus dias não contam histórias, não sabem nada. Não há nada para contar. Tudo é como se planeou. Nada se entrepõe no meu caminho. Quero pedras no meu caminho. Também tenho direito a construir um castelo. Nada, nem uma falha para melhorar a história.

Não sei porque escrevo, não há nada para escrever. não existem linhas mais ocas que as minhas, não existem palavras mais vazias que estas. Não quero paz, farta de paz estou eu. Que insolência pegar nesta caneta e usá-la como se de algo útil se tratasse. Não vale nada. De nada vale gastar mais tinta, mais papel. Que inocência a minha continuar a escrever. Preferia assinar em cruz. Provavelmente teria muito mais a dizer.

Porra para os dias que teimam em passar sem aviso prévio. Deixem-me um bilhete! Queria que os dias me ensinassem a viver. Mas limitam-se a passar. Apenas a passar.

E eu parada, no mesmo banco do recreio da escola, a ver os dias passar. Um dia vou dar por mim e estou velha, e não me levantei do banco, porque ninguém me fala, ninguém me explicou que os dias passam sem satisfação. Podia ter andado no escorrega. Ai, como queria ter andado no escorrega. Mas não, era arriscado. Podia ter sentido o vento, a adrenalina. Mas não, podia cair. Ficar no banco parece muito mais seguro. E é aqui que vou ficar. Inerte. Vou vendo os outros sorrir enquanto descem no escorrega. Não me mexi e estou tão cansada. De ver os dias passar. Que mania de não levarem nada para contar. Ninguém se vai lembrar de mim. Vou morrer porque me deixei ficar e não quis arriscar o escorrega.

Estou farta de escrever as mesmas palavras. Digo para mim que chega, mas nunca, nunca chega. Mania insane de querer sempre mais e mais. Mas sem nunca levantar a merda do rabo do banco.

Um dia vou acabar no chão. Levada pelo cansaço vou tombar e nunca ninguém se vai recordar da queda."




ANA

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Penne com o quê?

Ontem cheguei a Lisboa da minha última aventura pelo Sr. Alentejo cheia de fome, pois claro está. Como já não eram horas de me apetecer cozinhar e como tinha uma leve ideia que no meu frigorífico só tinha meio limão ressequido lá me aventurei a entrar naquele super-mercado manhoso, que de furor só tem mesmo aquela musiquinha intrigante.

Enchida de coragem comprei uma daquelas refeições já cozinhadas que só necessitam de ser atacadas violentamente com um garfo no plástico e de seguida atirar com ela para o microondas.

Enquanto as ditas micro ondas atacavam o meu manjar, fui lendo o rótulo do dito.

E eis que leio:

"Poderá conter vestígios de peixe, crustácios, frutas de casca rija, ovos, amendoins, soja, sulfitos, tremoços, moluscos e sementes de sésamo."

COMO??

A refeição chama-se Tirinhas de Perú e Penne Tricolor e PODE CONTER TREMOÇOS???
Quem me explica como que raio, aquando da preparação da coisa, vão lá parar frutas de casca rija?? heim? Que mais pode sair dali? O génio da lâmpeda? Bolas...

Mais chocadíssima fiquei com a atitude que tomei de seguida. E não é que abri a porta do microondas, tirei o plástico e comi?


RITA