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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Raisparta" a enfermeira que tem cada mania

Mais um dia no trabalho. Sei que já o disse, mas nunca me canso de repetir que isto de lidar com clientes é tão diferente do que lidar com doentes, utentes e afins...eis mais um maravilhoso diálogo travado entre mim e uma velhinha, com o seu belo Relmus e Voltaren (passo a publicidade), prontinhos a estriar:


- Eu hoje ainda lhe dou a injecção mas amanhã já não vai dar porque vou de férias.


- Vai de férias?


- Exactamente.


- Ai, e isso tem algum jeito, ir agora de férias?


- Oh minha senhora, eu tenho direito a ir de férias, como toda a gente.


- Está bem, mas não era agora com este tempo, em que as pessoas ficam doentes. Tire as férias no verão quando está sol. Mas agora sinceramente acho que não devia. Não tem jeito nenhum.


- Pode sempre dar a injecção noutros sítios. Tem o centro de saúde, a Cruz Vermelha ou o Hospital Particular, por exemplo. (Ai se o patrão me ouve a dizer isto, pensei.)


- Não. Quero dar aqui. Quando volta de férias?


- Para a semana.


- Então dou hoje uma e as outras quando voltar.


- Mas não está com dores?


- Eu aguento.


................................................


Das duas uma: ou a velhinha não tinha assim tantas dores e gosta de levar no rabinho só porque sim, ou então gosta mesmo de mim!!! Bem, o facto da administração de injectáveis no meu local de trabalho serem TOTALMENTE GRATUITAS, não deve ter influenciado nadinha.


E sim, a enfermeira ali não pode ir de férias. Porque sempre que vai de férias o pobre do CLIENTE, tem de pagar 4 euros por uma injecção que poderia fazer de borla. O estupor da enfermeira lembrou-se que também tem direito a férias e lá se vai orçamento familiar.


"Raisparta" a enfermagem deste País. Injecções de borla. Toca a desvalorizar cada vez mais o nosso trabalho.


Férias!


RITA


PS: Que raio tem o Relmus e o Voltaren a ver com o tempo?? No verão não há dores musculares?

quinta-feira, 12 de maio de 2011

sábado, 8 de maio de 2010

Diz que é uma espécie de emprego

Deixem-me só dizer uma coisa:

YYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYUUUUUUUUUUUUUUUUUUUPPPPPPPPPPPPPPIIIIIIIIIIII

Eu sei que disse que ia para Londres, mas o telefone tocou e do outro lado perguntaram se queria ir para Lisboa no dia seguinte. Não tive muito tempo para pensar e uma hora depois estava no autocarro.

Está bem que não é tudo que eu sonhei mas é trabalho....e isto de estar desempregada começava a tornar-se um cliché.

E lá fui atirada aos cagádos....agora ando a passear por todas as ruas que eu comprei no monopólio. Afinal não eram realmente minhas...

Veremos no que isto vai dar...

RITA

quinta-feira, 25 de março de 2010

"Ala que se faz tarde"

Eu até sou gaja para gostar de cozinhar, mas dada a minha última aventura pelo mundo da pastelaria, claramente fracassada, decidi que talvez não seja mesmo este o meu caminho. O que não deixam de ser boas notícias. Ora sigam lá o meu raciocínio:

Pasteleira: não sirvo, queimei os meus mini-palmieres, que tinham tudo para dar certo, uma vez que me limitei a comprar a massa já feita, e moldar aquilo da maneira mais similar, e “olarilas”, era só atirar com aquilo para o forno. Certo? ERRADO! Claro que se alguém mais distraído me perguntar o que raio se passou ali, eu tenho já um ou dois álibis prontinhos na ponta da língua. Posso sempre alegar que o forno não presta, é a gás, não cozinha de forma igual, pregou-me uma partida (é sempre fácil culpar uma outra coisa que não nós). Posso sempre dizer que fui num instantinho salvar o gato da vizinha que estava preso em cima de uma árvore e demorei mais tempo do que pensava (dá um certo charme dizer que a culpa da minha distracção foi o meu sentido de salvadora da pátria, sempre pronta e disponível para ajudar). Posso alegar que me deu uma tal dor de barriga que foi impossível aguentar, tive de chamar o INEM e sabia perfeitamente que ia queimar os palmieres (lembro-me bem que as minhas “dores de barriga” ou “problemas femininos” livraram-me de muitas boas aulas de educação física, porque não haveriam de resultar agora?). Tudo isto seria plausível, e vindo de uma pessoa tão credível como eu, jamais alguém ousaria duvidar, mas a verdade é apenas e só esta: “hum...cheira-me a qualquer coisa! MERDA, OS PALMIERES”.
- Pasteleira cortada da lista.

Operadora de Caixa: poderia ser uma opção, não fosse o facto de ter chegado ao fim do meu singelo contrato de 6 meses com aquela empresa que não se pode aqui dizer o nome, mas que começa com S e acaba com E, e que no meio tem ONA, e a dita empresa não tem mais nada e olha, “vai-te embora que já tiveste a tua oportunidade e isto de te pagar mais 6 meses era capaz de ser uma chatice”. Eu até nem desgostava daquela coisa de colocar palmieres já prontinhos a ser consumidos dentro de sacos de plástico biodegradáveis, assim como perguntar se quer descontar do cartão ou arredondar para ajudar a Madeira umas 1524 vezes por dia, mas realmente não me fez nada bem às minhas ricas varizes.
- Menina de caixa cortada da lista.

Ajudante de Cozinha: outra coisa que eu experimentei, com toda a ingenuidade de uma adolescência em construção. Lavei muitas panelas, muitos pratos e copos, arranjei muita salada, fiz muitos crepes e gelados, cozinhei muitas francesinhas, tostas mistas, cachorros da casa, hambúrgueres no pão e afins...aquilo até estava a correr muito bem até descobrir que uma colega minha ganhava menos que eu, pelo mesmo serviço e horas de trabalho. Eu até podia esfregar as mãos de contente e ficar caladinha no meu humilde cantinho, mas não, fui feita fina questionar a “chefona” o porquê de tal acontecimento. Maldita hora que o fiz pois a senhora não tem mais nada, faz uso do seu autoritarismo e de espátula dos crepes em riste desata num berreiro desenfreado, fazendo ver a toda a gente que quis ouvir que eu não ia era ganhar mais nada, pois estava despedida.......”ÉS UMA SINDICALISTA”, proclamou. Fui para casa chorar nos ombros dos meus pais, não só porque me mandaram embora, mas porque tinha 17 anos e ainda nem sequer sabia o que era um sindicalista.
- Lavadora de pratos/engraxadora cortada da lista.

Parasita da Sociedade: Seria perfeito, o cargo ideal para uma pessoa com o meu perfil. Até já estava a imaginar o meu Curriculum Vitae: capacidade de dormir até 14 horas diárias, capaz de vegetar no sofá até ganhar úlceras de pressão, inigualável competência de comer sem ter de cozinhar, ineficaz em tentativas de efectuar qualquer tipo de tarefa doméstica. Ai como seria perfeito, não fosse um pequeno contratempo: o tostãozinho, o pilim, a massa...de onde viria ela?
- Lesma remelosa cortada da lista.

E sim, isto são excelentes notícias. Então não é que só agora é que eu percebi? Se não consigo ser nada disto, é porque a minha vocação é mesmo ser ENFERMEIRA! Só pode! É que, PORRA, gosto mesmo daquilo. Tenho saudades de tudo que está intrinsecamente ligado à profissão que escolhi e estou para aqui a ver o Mundo girar.

Sim, são excelentes notícias para quem precisa de um último empurrão. Aqui não há trabalho? Acelerar com os papéis, e ‘bora emigrar que já se faz tarde.
ALICE


PS: Quem achar que eu estou doida, agradeço que não me digam, não vá eu mudar drasticamente de opinião e acabe a lavar pratos.
(Sindicalista...eheheh, agora que penso e que sei o que é, a senhora teve a sua graça).